Um estudo publicado recentemente na revista Scientific Reports relata a descoberta de um fóssil de vômito na Alemanha. O achado ajuda a entender melhor a alimentação de animais que viveram há cerca de 290 milhões de anos, no início do período Permiano.
O material foi localizado em 2021 no sítio de Bromacker e, à primeira vista, parecia apenas um conjunto de fragmentos de ossos presos em rochas sedimentares. No entanto, análises detalhadas mostraram que se trata de um registro raro de vômito fossilizado de um predador antigo.
Em resumo:
- Fóssil de vômito foi descoberto na Alemanha em 2021;
- Achado data de cerca de 290 milhões de anos;
- Micro-CT revelou 41 ossos de várias espécies;
- Análise descartou fezes e confirmou vômito fossilizado;
- Estudo mostra predador antigo com dieta variada.
O paleontólogo Arnaud Rebillard, do Museu de História Natural de Berlim, declarou em entrevista à Refractor que a descoberta foi surpreendente. Segundo ele, o agrupamento dos ossos estava extremamente compacto, algo pouco comum no registro fóssil. Essa característica levou os pesquisadores a suspeitar rapidamente que poderia se tratar de material expelido após a alimentação.
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Restos pertencem a pelo menos três animais diferentes
Identificado como MNG 17001, o espécime é um pequeno aglomerado irregular com cerca de cinco centímetros de comprimento. Para estudá-lo sem causar danos, a equipe utilizou tomografia computadorizada de microfoco (micro-CT), que permite visualizar o interior do fóssil em três dimensões. A técnica revelou detalhes importantes da estrutura interna.
Dentro do material foram encontrados 41 pequenos ossos, todos com menos de 20 milímetros, pertencentes a pelo menos três animais diferentes. A equipe comparou os fragmentos com fósseis coletados ao longo de décadas no próprio sítio de Bromacker, o que permitiu relacionar os restos a espécies já conhecidas da região.
Entre os animais identificados estão o pequeno réptil Thuringothyris mahlendorffae e o Eudibamus cursoris, conhecido por sua locomoção bípede. Também foi encontrado um osso maior, pertencente a um diadectídeo ainda não identificado, um animal robusto que podia atingir cerca de 60 centímetros de comprimento.
Equipe analisou se material era vômito ou fezes
Os cientistas analisaram se o material era um coprólito (fezes fossilizadas) ou um regurgitalito (vômito fossilizado). A diferença está na presença de fósforo, comum em coprólitos devido à digestão. Como não foi detectado fósforo relevante, a hipótese de vômito se tornou a mais provável.
Com a confirmação, o estudo aponta que este é o registro mais antigo conhecido de vômito de um vertebrado terrestre. A diversidade dos ossos sugere que o predador era oportunista, alimentando-se de diferentes espécies. Pesquisadores destacam que achados como esse ajudam a reconstruir cadeias alimentares antigas.
Fonte: TV Alagoas




