Quando a Inteligência se Torna Poder: o Futuro nas Mãos de Quem Controla os Sistemas

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Durante anos, discutimos a intelig?ncia artificial como ferramenta de efici?ncia. Em 2026, essa narrativa precisa ser atualizada. A IA deixou de ser apenas software para se tornar infraestrutura: invis?vel, indispens?vel e profundamente concentrada. E toda infraestrutura carrega uma verdade inc?moda j? que ela n?o apenas sustenta a sociedade, ela a molda. Ao passo que a intelig?ncia vira base do sistema, a quest?o deixa de ser tecnol?gica. Ela passa a ser de poder.

Infraestruturas operam em sil?ncio. S? percebemos sua import?ncia quando falham. Poucos pensam diariamente na rede el?trica, no sistema financeiro ou na internet, at? que um apag?o revela o quanto nossas escolhas, rotinas e possibilidades dependem delas. A intelig?ncia artificial caminha rapidamente para esse mesmo lugar porque est? embutida nos fluxos de informa??o, nas decis?es corporativas, nos sistemas educacionais, nos processos de contrata??o, no cr?dito, na sa?de e na visibilidade social.

O problema n?o ? a presen?a da IA. ? a naturaliza??o da depend?ncia

Empresas, governos e indiv?duos passaram a depender de sistemas que n?o elegeram, n?o auditam plenamente e raramente compreendem em profundidade. Modelos treinados a partir de dados opacos, crit?rios de decis?o invis?veis e arquiteturas t?cnicas concentradas em poucos atores criaram uma assimetria in?dita entre quem usa e quem controla. A promessa de efici?ncia veio acompanhada de um deslocamento silencioso de poder.

Infraestrutura nunca ? neutra. Ela define fluxos, acessos, prioridades, e tamb?m exclus?es. Quem controla a infraestrutura define o que circula com facilidade e o que encontra fric??o; o que se torna padr?o e o que permanece ? margem. Quando a intelig?ncia passa a operar nesse n?vel, ela deixa de apenas responder perguntas e come?a a organizar a realidade.

? nesse contexto que surgem as tentativas de regula??o. Iniciativas como o AI Act europeu sinalizam um esfor?o leg?timo de recuperar a governan?a sobre sistemas que j? operam em escala social. Mas tamb?m exp?em um descompasso estrutural. Pensa comigo: institui??es regulam em ritmo linear; tecnologias evoluem exponencialmente, e s? depois a regula??o surge como rea??o, n?o como desenho antecipado.

O risco central, portanto, n?o ? a IA errar. Sistemas sempre erraram. O risco real ? errar em escala, com legitimidade algor?tmica e apar?ncia de neutralidade t?cnica. Um erro humano ? contextualizado; um erro algor?tmico ? replicado. Um vi?s individual ? questionado; um vi?s automatizado ganha aura de objetividade. A escala transforma falhas em padr?o. Aqui que mora o perigo, ou seja onde temos que prestar muita aten??o.

Al?m disso, quando decis?es passam a ser mediadas por sistemas inteligentes, a responsabilidade se dilui. Quem responde por uma exclus?o injusta, uma recomenda??o enviesada ou uma decis?o automatizada com impacto real? O programador, o fornecedor, a empresa usu?ria, o gestor que confiou no sistema? A infraestrutura cria efici?ncia mas tamb?m cria zonas cinzentas de responsabilidade.

Chegamos, assim, a um ponto de inflex?o. A discuss?o sobre intelig?ncia artificial em 2026 n?o ? mais sobre ado??o ou inova??o. ? sobre governan?a, legitimidade e contrato social. Trata-se de decidir quais decis?es podem, e quais n?o devem, ser delegadas a sistemas inteligentes. Trata-se de definir limites antes que eles se tornem tecnicamente irrelevantes.

A pergunta que se imp?e neste in?cio de ano n?o ? se a intelig?ncia artificial vai decidir por n?s. Ela j? decide… A pergunta mais importante ?: quem decidiu que ela poderia decidir, em que condi??es e em nome de quais valores.

Responder a isso n?o ? tarefa de engenheiros apenas. ? um debate pol?tico, cultural e ?tico. E quanto mais cedo o enfrentarmos, maior a chance de que a nova infraestrutura da intelig?ncia sirva ? sociedade com um todo, e n?o o contr?rio.

Iona Szkurnik ? fundadora e CEO da Education Journey, plataforma de educa??o corporativa que usa Intelig?ncia Artificial para uma experi?ncia de aprendizagem personalizada. Com mestrado em Educa??o e Tecnologia pela Universidade de Stanford, Iona integrou o time de cria??o da primeira plataforma de educa??o online da universidade. Como executiva, Iona atuou durante oito anos no mercado de SaaS de edtechs no Vale do Sil?cio. Iona ? tamb?m cofundadora da Brazil at Silicon Valley, fellow da Funda??o Lemann, mentora de mulheres e investidora-anjo.

Os artigos assinados s?o de responsabilidade exclusiva dos autores e n?o refletem, necessariamente, a opini?o de Forbes Brasil e de seus editores.

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Fonte: TV Alagoas

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