Conforme reportado pelo Olhar Digital, Elon Musk mudou a estratégia da SpaceX e, agora, prioriza investimentos na Lua. O bilionário afirmou que, no futuro, pode ser necessário construir uma fábrica de satélites com IA no nosso satélite natural e mencionou a ideia de usar uma grande catapulta para lançá-los ao espaço.
Em comunicado da SpaceX, Musk revelou que, dentro de dois a três anos, gerar poder computacional para IA no espaço poderá se tornar mais barato do que na Terra. Dias depois, na semana passada, ele reforçou sua visão para a Lua durante uma reunião com a equipe da xAI, divulgada na íntegra no X.
Segundo o empresário, o foco inicial permanece no envio de satélites a partir da Terra. No entanto, o desenvolvimento do megafoguete Starship abriria caminho para operações mais complexas, inclusive fora do planeta.
Musk argumenta que avanços como a transferência de propelente no espaço permitirão que a Starship transporte grandes volumes de carga até a Lua. Com isso, seria possível estabelecer uma presença permanente voltada tanto para pesquisa quanto para manufatura.
A ideia central é utilizar recursos lunares na produção de satélites e, em seguida, lançá-los ao espaço por meio de um propulsor de massa (a tal catapulta). Trata-se, basicamente, de um canhão eletromagnético capaz de acelerar cargas sem a necessidade de combustível químico tradicional.
De acordo com Musk, essa estratégia poderia viabilizar o envio de centenas de terawatts por ano em capacidade de satélites de IA ao espaço, ampliando significativamente o uso da energia solar disponível fora da Terra.
Catapulta de Elon Musk não é uma ideia nova
A proposta de usar propulsores de massa na Lua não é inédita. O físico Gerard O’Neill apresentou um conceito semelhante na década de 1970. Ele sugeriu o uso de lançadores eletromagnéticos para disparar material extraído da superfície lunar ao espaço, onde poderia servir como matéria-prima para colônias espaciais e grandes estruturas orbitais.
O’Neill e colaboradores do MIT chegaram a desenvolver protótipos experimentais. Estudos posteriores indicaram que um sistema com alguns quilômetros de extensão poderia lançar centenas de milhares de toneladas de material por ano para pontos estratégicos no sistema Terra-Lua.
A ideia também recebeu apoio recente de especialistas em sistemas eletromagnéticos. Segundo o site Space.com, um relatório apresentado em 2023 ao Escritório de Pesquisa Científica da Força Aérea dos Estados Unidos destacou que lançadores eletromagnéticos na Lua poderiam operar utilizando energia solar abundante, reduzindo a dependência de combustíveis transportados da Terra.
Segundo o documento, a combinação entre infraestrutura lunar e veículos de grande capacidade, como a Starship, poderia viabilizar um ciclo econômico no qual recursos locais – como silício, titânio, alumínio e ferro – seriam utilizados para abastecer e reparar espaçonaves em órbita lunar a custos menores do que os atuais.
Para que o plano avance, a primeira etapa exigiria o envio de equipamentos e sistemas de suporte a partir da Terra. No entanto, a longo praz a expectativa seria reduzir essa dependência e explorar recursos lunares de forma mais autônoma.
Fonte: TV Alagoas




