
A presença brasileira na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood nunca foi tão discutida quanto em 2026. Com o cinema nacional em evidência devido ao sucesso de produções como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, a dúvida sobre quem são os brasileiros que votam no Oscar 2026 ganhou força, especialmente após comentários internacionais sobre a influência desse grupo.
Atualmente, estima-se que o Brasil tenha cerca de 60 a 65 membros votantes na Academia, um número recorde, mas que ainda representa menos de 1% do total de quase 11 mil integrantes da organização. Esses profissionais, divididos entre atores, diretores, produtores e técnicos, têm a responsabilidade de ajudar a escolher os melhores filmes do ano.
Como funciona a votação
Para entender o peso do voto brasileiro, é preciso compreender o sistema da Academia. A regra geral é: cada membro vota na sua categoria específica para definir os indicados (atores votam em atores, diretores em diretores). No entanto, para a escolha do vencedor do prêmio principal, o Melhor Filme, todos os membros votantes, independentemente da área, podem participar.
Isso significa que nomes como Fernanda Montenegro e Wagner Moura ajudam a definir os indicados de atuação, enquanto diretores como Fernando Meirelles votam na categoria de direção.
Atores e atrizes brasileiros na Academia
O ramo de atuação é o mais visível e conta com alguns dos nomes mais prestigiados da teledramaturgia e do cinema nacional. Entre os votantes confirmados para a edição de 2026 estão:
- Fernanda Montenegro: A dama do teatro e cinema, indicada ao Oscar por Central do Brasil.
- Fernanda Torres: Integrante da Academia (e destaque na temporada 2026), filha de Fernanda Montenegro.
- Sônia Braga: Ícone internacional, conhecida por O Beijo da Mulher Aranha e Bacurau.
- Alice Braga: Estrela de produções de Hollywood como Eu Sou a Lenda.
- Wagner Moura: Reconhecido globalmente por Narcos e Guerra Civil.
- Selton Mello: Ator e diretor, recentemente elogiado por Ainda Estou Aqui.
- Rodrigo Santoro: Com longa carreira internacional em obras como 300 e Westworld.
- Maeve Jinkings: Atriz aclamada do cinema independente, convidada recentemente (classe de 2024).
Diretores e roteiristas
Os cineastas brasileiros têm forte representatividade e incluem nomes que já disputaram a estatueta ou foram premiados em Cannes e Berlim:
- Walter Salles: Diretor de Central do Brasil e Diários de Motocicleta.
- Fernando Meirelles: Indicado ao Oscar por Cidade de Deus.
- Kleber Mendonça Filho: Diretor de Bacurau e O Agente Secreto.
- José Padilha: Diretor de Tropa de Elite e RoboCop.
- Anna Muylaert: Diretora de Que Horas Ela Volta?.
- Karim Aïnouz: Diretor de A Vida Invisível.
- Carlos Saldanha: Um dos maiores nomes da animação mundial (A Era do Gelo, Rio).
- Alê Abreu: Indicado ao Oscar de Animação por O Menino e o Mundo.
Técnicos, produtores e músicos
Além dos rostos famosos, o Brasil possui votantes técnicos de altíssimo nível, respeitados na indústria global:
- Adriano Goldman: Diretor de fotografia (vencedor do Emmy por The Crown).
- Affonso Beato: Diretor de fotografia renomado, colaborador frequente de Pedro Almodóvar.
- Lula Carvalho: Diretor de fotografia.
- Carlinhos Brown: Músico e compositor, indicado ao Oscar pela trilha de Rio.
- Antonio Pinto: Compositor (Cidade de Deus, Amy).
- Marcelo Zarvos: Compositor.
- Petra Costa: Documentarista indicada ao Oscar por Democracia em Vertigem.
- Karen Akerman: Editora e montadora.
- Andrea Barata Ribeiro: Produtora (O2 Filmes).
Novos membros e a expansão recente
A Academia tem feito um esforço para diversificar seu quadro de votantes. Nos últimos ciclos (classes de 2023, 2024 e 2025), vários brasileiros foram convidados, aumentando a influência do país.
Entre as adições mais recentes que já participam da votação do Oscar 2026, destacam-se:
- Maeve Jinkings (Atriz)
- Carlos Segundo (Diretor)
- Plínio Profeta (Músico)
- Renata de Almeida Magalhães (Produtora)
- Juliana Rojas (Diretora)
- Jorge Bodanzky (Documentarista)
A polêmica do “voto em bloco”
Na temporada de 2026, surgiu uma polêmica envolvendo o diretor espanhol Oliver Laxe, que sugeriu que os brasileiros seriam “ultranacionalistas” e votariam em massa em suas próprias produções. No entanto, os dados desmentem essa teoria de que o Brasil poderia decidir o Oscar sozinho.
Com pouco mais de 60 membros em um universo de mais de 10 mil votantes, os brasileiros representam aproximadamente 0,6% da Academia. Embora o grupo seja unido e engajado na divulgação do cinema nacional, matematicamente é impossível que elejam um vencedor sem o apoio massivo dos votantes americanos e europeus.
A presença crescente de brasileiros na Academia do Oscar reflete o amadurecimento e a internacionalização do nosso audiovisual. Mais do que apenas votar, esses profissionais garantem que as produções latinas e brasileiras sejam assistidas e consideradas em uma das premiações mais concorridas do mundo.




