Venezuela aprova lei de anistia para presos políticos

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A Assembleia Nacional, o parlamento da Venezuela controlado pelo chavismo, aprovou nesta quinta-feira (19), de forma definitiva, o projeto de lei de anistia para os presos políticos. O texto seguirá agora para sanção da ditadora interina Delcy Rodríguez.

A aprovação ocorre cerca de um mês após a captura do ditador Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, em janeiro. Desde então, a Casa Branca tem pressionado o regime chavista, agora representado por Delcy, por profundas mudanças políticas e avanços concretos rumo a uma transição democrática.

A lei da anistia já havia sido aprovada em primeiro debate no começo deste mês. A segunda discussão realizada nesta quinta representou o último passo antes do envio ao Executivo para promulgação.

Segundo informações, a lei poderá beneficiar centenas de detidos por motivos políticos na Venezuela. Poderão ser beneficiados por ela todos aqueles que foram detidos por motivos políticos desde janeiro de 1999, quando o ditador Hugo Chavéz chegou ao poder, até o dia da promulgação da lei – período que inclui prisões em protestos contra o regime ao longo das últimas décadas.

A lei exclui, contudo, pessoas que “promovam, instiguem, favoreçam ou participem de ações armadas ou de força contra o povo, a soberania e a integridade territorial da República Bolivariana da Venezuela por parte de Estados, corporações ou pessoas estrangeiras”.

De acordo com a ONG Foro Penal, ao menos 448 presos políticos na Venezuela já foram libertados nas últimas semanas, mas ainda permanecem entre 600 e 644 presos por razões políticas no país.

O projeto conta com pontos controversos, como a exigência de que o beneficiário da lei se apresente formalmente às autoridades venezuelanas para ter acesso à anistia. Na prática, isso significa que opositores no exílio precisarão comparecer perante a Justiça do país para serem incluídos na medida. Por causa de artigos como esse, a lei chegou a gerar preocupação entre opositores que vivem no exílio, como María Corina Machado e Edmundo González.

A aprovação ocorre em meio a protestos e greves de fome de familiares de presos políticos, que cobram liberdade plena para os detidos. Organizações civis defendem que a anistia seja ampla e sem restrições.



Fonte: Gazeta do Povo.

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