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O principal reflexo negativo da guerra no Golfo P?rsico para o setor agr?cola do Brasil no curto prazo ? a alta do pre?o do diesel no mercado brasileiro, j? que o pa?s importa cerca de 30% de suas necessidades, e o avan?o da cota??o acontece na esteira da disparada do mercado de petr?leo, disseram representantes de importantes associa??es do setor.
Al?m disso, h? relatos de produtores sobre problemas de entregas de diesel no Rio Grande do Sul, com agentes limitando a oferta enquanto os custos do combust?vel est?o maiores e a Petrobras ainda mant?m seus valores a despeito de o petr?leo ter atingido m?ximas desde meados de 2022 por conta do conflito.
A guerra dos EUA e Israel contra o Ir? ocorre em um dos momentos em que o agroneg?cio brasileiro tem sua maior demanda por diesel, para escoar a safra recorde de soja, colher parte da produ??o da oleaginosa que ainda est? nos campos e para finalizar o plantio da segunda safra, que responde pela maior parte do cereal cultivado no pa?s.
As atividades de colheita e plantio n?o podem esperar, enquanto h? outras como tratos culturais nas lavouras, com aplica??o de insumos, que tamb?m demandam consumo de diesel.
?Agora o principal problema ? valor do diesel, vimos o petr?leo saindo de US$ 80 (R$ 417) para o patamar de US$ 100 (R$ 521,3) o barril, isso tem gerado alarde no campo?, disse o diretor-t?cnico da Confedera??o Nacional da Agricultura e Pecu?ria (CNA), Bruno Lucchi, ? Reuters.
Os pre?os do petr?leo subiram para mais de US$ 119 por barril nesta segunda-feira, antes de perderem um pouco da for?a. Por volta das 14h (hor?rio de Bras?lia), o Brent era negociado em alta de mais de 7%, perto de US$ 100 (R$ 521,3).
Segundo Lucchi, a importa??o de fertilizantes nitrogenados, que j? est? mais cara ou mesmo invi?vel ? se a origem ? o Ir?, devido aos riscos no Estreito de Ormuz que impactam o transporte de produtos como o petr?leo -, ? gerenci?vel neste momento, com os produtores podendo adiar um pouco a decis?o de compra de adubo, j? que as necessidades para a safra atual est?o cobertas.
Da mesma forma, o Brasil s? exporta os maiores volumes de milho ao Ir?, seu principal mercado do cereal, no segundo semestre, o que d? alguma margem de manobra. Mas, no caso do diesel, o impacto ? imediato.
?Estou colhendo soja, arroz e o momento de colher n?o pode esperar, da mesma forma o plantio de milho Se esperar, posso reduzir a janela (clim?tica) de plantio. O produtor n?o tem escolha, ele tem que entrar na lavoura, o tempo n?o ? o do produtor, ? o tempo da natureza?, afirmou Lucchi.
?O ponto principal no curto prazo ? o diesel, o produtor precisa de diesel para fazer as opera??es agora?, afirmou Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecu?ria (Imea), ?rg?o ligado ? federa??o dos produtores do Estado que ? l?der do setor no pa?s.
O ?leo diesel e lubrificantes normalmente representam cerca de 5% do custeio agr?cola, disse Gauer.
Mas essa participa??o do diesel no custeio pode ser pressionada. Lucchi, da CNA, disse ter recebido relatos de alta nos pre?os do diesel na bomba de cerca de R$ 1 por litro entre o Centro-Oeste e o Sul do pa?s, o que representaria avan?o de mais de 15% no valor, com altas m?ximas de cerca de R$ 1,50 o litro.
O diretor-t?cnico lembrou ainda que a Ag?ncia Nacional do Petr?leo, G?s Natural e Biocombust?veis (ANP) afirmou que vai investigar den?ncias sobre dificuldades na aquisi??o de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul, al?m de den?ncias de altas de pre?os do combust?vel.
?Hoje tivemos conversa com a ANP, eles disseram que n?o existe falta, est?o notificando algumas distribuidoras, que est?o segurando o produto para vender mais caro. O que estamos vendo ? que pode estar ocorrendo algum oportunismo de elevar o pre?o acima das condi??es normais?, afirmou o diretor-t?cnico da CNA.
Em nota nesta segunda-feira (09), a Federa??o das Associa??es de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) afirmou que est? orientando os produtores rurais do Estado a informarem casos de aumento recente no pre?o do ?leo diesel ou dificuldades de abastecimento do combust?vel em estabelecimentos comerciais.
A entidade disse que vem recebendo reclama??es de diferentes regi?es ga?chas sobre problemas de fornecimento.Os dados coletados ser?o encaminhados ao Minist?rio P?blico, ? Pol?cia Civil, ? Pol?cia Federal e ? ANP, para avalia??o e eventual ado??o das medidas cab?veis.




