Reprodução
Nos últimos anos, é possível enxergar o avanço dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio como um termômetro claro de aperto de caixa. O setor sempre conviveu com risco, mas o cenário recente combinou custo financeiro elevado, margens mais apertadas, oscilação de preços e problemas climáticos em sequência.
No segundo trimestre de 2025, o agronegócio registrou 565 pedidos de recuperação judicial, alta de 31,7% em relação o mesmo período de 2024. Já no terceiro trimestre o volume subiu para 628 pedidos, o maior da série desde 2021, segundo a Serasa Experian. O dado reforça o que podemos sentir na prática: não se trata de um problema isolado de um elo da cadeia, mas de uma pressão financeira espalhada entre produtores e empresas ligadas ao setor.
Esse cenário tem uma parte cíclica e outra estrutural. A primeira compõe safra, clima, preço e mercado. A estrutural é mais desafiadora, porque a cadeia ficou mais complexa e mais financeirizada. Hoje há mais operações a prazo, mais dependência de capital e mais exposição ao risco de crédito.
Quando uma empresa começa a falhar, o efeito dominó pode atingir revendas, distribuidores e, no fim, o produtor, que fica sem crédito, com entrega atrasada ou sem suporte técnico no meio da safra.
O produtor precisa tratar a gestão financeira como ferramenta de produção. Não dá para controlar clima e preço, mas dá para controlar custo por hectare, fluxo de caixa e timing de compra.
Fonte: Redação com assessoria





