A transi??o energ?tica global est? prestes a colidir com um mist?rio cient?fico rec?m-descoberto nas profundezas do Oceano Pac?fico. ? medida que 2027 se aproxima, uma data marcada para o in?cio da explora??o comercial do fundo do mar, o mundo se v? diante de um paradoxo cruel: para alimentar os carros el?tricos que salvar?o a atmosfera, talvez tenhamos que destruir o ecossistema que produz o ?oxig?nio sombrio?.
O fundo do mar est? ?vivo?
At? muito recentemente, a ci?ncia operava sob um dogma absoluto: a produ??o de oxig?nio na Terra dependia da fotoss?ntese e, portanto, da luz solar. O fundo do mar, em sua escurid?o perp?tua, deveria ser apenas um consumidor de O?.
Isso mudou com a descoberta do ?oxig?nio sombrio?. Pesquisadores, incluindo equipes da Universidade Northwestern e publica??es recentes na Nature, confirmaram que n?dulos polimet?licos ? rochas ricas em metais que lembram peda?os de carv?o ? agem como ?geobaterias?.
Atrav?s de um processo de eletr?lise natural, esses n?dulos quebram as mol?culas da ?gua do mar, liberando oxig?nio mesmo a 4.000 metros de profundidade. Essa descoberta reescreveu os livros de biologia marinha: o fundo do oceano possui seu pr?prio ?pulm?o?, independente do Sol.
A ?corrida do ouro? de 2027
Enquanto a ci?ncia ainda tenta entender o tamanho dessa descoberta, a ind?stria j? tem data marcada para intervir. O ano de 2027 tornou-se o marco zero para o in?cio da minera??o em ?guas profundas em escala comercial.
Empresas como a The Metals Company (TMC) lideram essa corrida. O alvo? A Zona Clarion-Clipperton (CCZ) no Pac?fico, um vasto campo repleto exatamente desses n?dulos geradores de oxig?nio. A estimativa ? que a explora??o desses recursos possa movimentar cifras superiores a US$ 5 bilh?es, criando uma nova fronteira econ?mica compar?vel ?s grandes corridas do ouro do passado.
A justificativa? A fome por baterias
O argumento pr?-minera??o ? robusto e ecol?gico em sua ess?ncia. A transi??o para uma economia de baixo carbono exige uma quantidade colossal de metais cr?ticos:
- N?quel;
- Cobalto;
- Mangan?s;
- Cobre.
Estes s?o os ingredientes vitais para as baterias de ?ons de l?tio que movem os ve?culos el?tricos (EVs) e armazenam energia renov?vel.
Os defensores da minera??o no fundo do mar argumentam que extrair esses metais do oceano ? menos danoso social e ambientalmente do que desmatar florestas tropicais para abrir minas na Indon?sia ou enfrentar os dilemas de direitos humanos nas minas do Congo.

O grande paradoxo
Aqui reside o cora??o do dilema exposto pelos novos estudos de 2025 e 2026. Os n?dulos que queremos transformar em baterias s?o os mesmos que sustentam a respira??o do fundo do mar.
A remo??o desses n?dulos n?o ? apenas uma ?colheita?; ? a remo??o da fonte de energia de todo um ecossistema. O paper da Nature, citado anteriormente, alerta para impactos que s?o ?desconhecidos? e potencialmente ?irrevers?veis?.
Segundo Franz Geiger, um dos autores do estudo ?Evid?ncias de produ??o de oxig?nio sombrio no fundo do mar abissal? (em tradu??o literal), publicado na Nature, descobrimos uma ?geobateria natural? no fundo do oceano.
Em comunicado oficial da Northwestern University, o qu?mico alertou que ?precisamos repensar como minerar esses materiais? para n?o destruir a fonte de oxig?nio da vida marinha em troca de metais para baterias.
A minera??o criaria plumas de sedimentos capazes de sufocar a vida bent?nica (que vive no fundo), al?m de interromper a eletr?lise natural. O paradoxo ? amargo: na ?nsia de resfriar o planeta reduzindo o CO?, podemos estar asfixiando a ?ltima fronteira intocada da Terra.
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O mundo est? preparado?
O destino desses ecossistemas est? agora nas m?os da ISA (Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos). O ?rg?o regulador corre contra o tempo para finalizar o ?C?digo de Minera??o? antes que as m?quinas des?am em 2027.
A incerteza regulat?ria ? alta. Cientistas pedem morat?rias para entender melhor o papel do ?oxig?nio sombrio?, enquanto investidores pressionam pelo in?cio da extra??o. A pergunta que fica n?o ? apenas se temos a tecnologia para minerar, mas se temos o direito moral de sacrificar um ecossistema alien?gena em nosso pr?prio planeta em nome da sustentabilidade da superf?cie.

Fonte: TV Alagoas




