Forbes Top Creators: Quem São os 10 Escolhidos de 2026

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Forbes, a mais conceituada revista de neg?cios e economia do mundo.

N?o ? s? chamar a aten??o. Os 10 criadores de conte?do de maior impacto no Brasil se destacam pelo poder de entregar conte?dos divertidos, mas ao mesmo tempo ?teis; por manter com sua audi?ncia uma rela??o tanto de proximidade quanto de credibilidade; e por conseguir traduzir essa influ?ncia em constru??o de marca, seja pela colabora??o com grandes empresas, seja pelo investimento em neg?cios pr?prios (ou, algo cada vez mais comum, as duas coisas juntas).

Nossa lista apresenta um recorte dos maiores interesses dos brasileiros: da comida ? beleza, de um cotidiano ind?gena aos conselhos de carreira, da malha??o ? ci?ncia, das finan?as ? literatura. E os exemplos de profissionais que sabem satisfazer esses interesses, demonstrando capacidade de entrega, criatividade, apelo emocional, disciplina para produzir conte?do de qualidade.

Voc? pode cham?-los de influenciadores digitais, e o nome n?o est? errado. Mas talvez seja mais correto cham?-los de empreendedores.

Veja quem s?o os 10 Top Creators de 2026

Foto: Victor AffaroBookster ? Top Creators 2026

O poder da paix?o pela literatura

Quando criou o perfil @Bookster no Instagram, em 2017, Pedro Pac?fico n?o tinha a ambi??o de ser influenciador ? muito menos de se expor. “Criei um perfil an?nimo e bloqueei todos os meus amigos e fam?lia”, recorda. “Tinha acabado de ser efetivado como advogado.” Hoje, aos 33 anos, tem mais de 900 mil seguidores, um livro publicado, parcerias com gigantes como Amazon e Iguatemi e um clube de leitura com 7 mil assinantes. “Sou um apaixonado pela leitura que teve sua vida transformada por ela.”
Formado em direito pela USP e com mestrado na New York University, Pedro projetava uma carreira tradicional, seguindo os passos do pai. “Cresci numa bolha. Me sentia diferente, mas achava que era errado e precisava reprimir.” Os livros, com suas hist?rias e personagens diversos, abriram-lhe um novo mundo. “A virada de chave foi quando consegui me aceitar como um homem gay ? e a literatura me ajudou muito nesse processo.”

O interesse cresceu na faculdade, depois do trauma com as obras obrigat?rias de vestibular e de se guiar pelas listas de mais vendidos. “S?o livros que prometem resolver problemas de forma imediata, com pouca reflex?o. A literatura ? o contr?rio disso.” A partir da?, passou a explorar cl?ssicos como Tolst?i e autores contempor?neos como Valter Hugo M?e e Buchi Emecheta.

Seis meses ap?s criar o perfil, foi descoberto por um conhecido e decidiu abandonar o anonimato. No in?cio, eram principalmente editoras que o procuravam para parcerias. Na pandemia, lan?ou o podcast Daria um Livro, seu perfil cresceu e Pedro entrou para a lista Forbes Under 30. Hoje, cerca de 90% dos clientes (que v?o de marcas de moda a pneus) est?o fora do mercado liter?rio. O segredo para furar a bolha? “Nunca me coloquei como especialista, mas como um leitor apaixonado.”

Por anos, manteve uma vida dupla: advogado ? chegou a s?cio do escrit?rio ? e criador de conte?do. “Me sentia devendo no escrit?rio, em atraso com o Bookster, ausente na fam?lia e dos amigos.” Em 2024, ap?s uma crise de p?nico, percebeu que havia atingido seu limite. “Tinha medo de abrir m?o de uma carreira previs?vel por algo incerto.”

No ?ltimo ano, fez um per?odo de teste dedicado apenas ao Bookster. Durante esse tempo, lan?ou o clube Bookster pelo Mundo, em parceria com a TAG Livros, hoje com 7 mil assinantes. A proposta ? ler, a cada m?s, um livro de um pa?s diferente: nove dos 12 t?tulos deste ano s?o in?ditos no Brasil. Seu conte?do tamb?m extrapolou esse universo: hoje, assina uma coluna no jornal O Globo e tem um programa semanal na CNN.

Pedro tem nos planos um segundo livro, agora de fic??o. O primeiro, Trinta Segundos Sem Pensar no Medo: Mem?rias de um Leitor, lan?ado em 2023 pela Intr?nseca, amarra suas hist?rias de vida e temas como sexualidade e sa?de mental. Ele acaba de confirmar sua sa?da definitiva da advocacia. Uma decis?o dif?cil, claro, mas abandonar o Bookster nunca foi uma op??o. “Virou uma parte de quem eu sou. As pessoas at? me chamam de Bookster. ? uma confus?o.” (FA)

Foto: Victor AffaroFausto Carvalho ? Top Creators 2026

Provocar o riso sem ofender

Por um bom tempo, a vida n?o foi f?cil para Fausto Carvalho. Nascido numa fam?lia simples em Diadema ? a m?e assistente social e o pai operador de trens ?, o paulista tinha o sonho de ser jogador de futebol e ainda na adolesc?ncia come?ou a bater bola profissionalmente. Passou por times pequenos, como XV de Ja?, Uni?o Barbarense e XV de Piracicaba, e depois entrou na equipe de futsal do Corinthians como parte de uma bolsa para pagar a faculdade de educa??o f?sica. Mas, sem perspectiva de crescimento, Fausto desistiu desse sonho e, via indica??o de um amigo, usou do seu humor nato para se jogar no mundo da recrea??o.

Fez de tudo nesse per?odo: onde houvesse fila, l? estava ele fazendo as pessoas rirem. Vieram as redes hoteleiras (atuou por cinco anos), depois os cruzeiros. Da? a vida de Fausto mudou de verdade.
“Hoje vejo como foi importante essa fase de hot?is e cruzeiros. O trabalho de recreador aconteceu na minha vida muito por acaso; foi a indica??o para o trabalho em hot?is e, a partir dali, conheci pessoas que me trouxeram a oportunidade de trabalhar em navios, onde fiquei por 15 anos. Principalmente o navio me ensinou como ‘pisar’, como chegar e sair, o jeito de fazer piada sem ofender ningu?m e a saber fazer humor para todas as nacionalidades”, disse.

Se os hot?is lhe deram os primeiros personagens pr?prios, os cruzeiros proporcionaram a milhagem c?mica. Nessa ?poca, criou mais de 50 personagens ? afinal, durante 15 anos, trabalhou 12 horas por dia, falando cinco l?nguas, passando por quase 100 pa?ses, totalizando umas tr?s voltas ao mundo. Ent?o, veio a pandemia e, por dois anos, toda aquela intensidade de pessoas, piadas e paisagens sumiu no ar.
Quando o mundo voltou ao que, mais ou menos, era antes, Fausto tamb?m retornou aos palcos.

Precisava viver e fazer rir de novo. Ent?o, para um evento corporativo, pediram para ele interpretar um jogador de beach tennis. “Criei o Jorginho, o ‘Menzinho’. Um convidado me viu, achou muito parecido com um amigo dele, gravou um v?deo e jogou em um grupo de WhatsApp. Foi assim que comecei a viralizar. Acho que o personagem foi abra?ado por fazer um humor sem ofensa; ? uma caricatura amig?vel na qual as pessoas acabam se reconhecendo e rindo de si mesmas.”

O Jorginho do Beach Tennis foi muito mais que abra?ado. A combina??o de peruca loira, camisa polo, bermuda com cinto, su?ter amarrado nos ombros, sotaque paulistano carregado, muitas palavras em ingl?s e bord?es como “top” e “o beach venceu” tem atualmente cerca de 6 milh?es de seguidores nas redes sociais de Fausto. E chamou a aten??o de marcas como XP, Heineken, Lacoste, Amazon, Oakberry e a bolsa de valores B3.

“Espero seguir trabalhando com o que mais amo, que ? trazer alegria para as pessoas. No momento estou focado no Menzinho, mas tenho muitas ideias de personagens e sinto falta de mostrar outras cria??es. Quer dizer, tenho planos para o futuro; o maior desafio ? se manter relevante dentro da internet, ? tudo muito vol?til e acaba assustando um pouco. Tamb?m sei que o humor me levou e me levar? para lugares ainda mais incr?veis.” (DS)

Foto: Victor AffaroJoel Jota ? Top Creators 2026

Disciplina em nome do desenvolvimento pessoal

“A disciplina ? a m?e de todas as habilidades.” Este ? o princ?pio que guia a vida de Joel Jota. Antes de se tornar o podcaster n?mero 1 na categoria de neg?cios do Spotify Brasil e n?mero 4 no ranking geral da plataforma, Joel era nadador profissional. Nascido e criado em Santos, come?ou no esporte pela sa?de, mas por seguran?a, para poder acompanhar o pai em seus dias de pesca. Foi tamb?m o pai que percebeu seu potencial no esporte e o incentivou a competir, carreira que o levou a representar a sele??o brasileira e seguir a forma??o em educa??o f?sica, tornando-se, mais tarde, treinador.

Se a nata??o lhe ensinou foco e disciplina, as salas de aula forjaram sua orat?ria. Mestre em ci?ncias do esporte e doutor em educa??o e novas tecnologias, tornou-se professor universit?rio e percebeu que a comunica??o era seu ponto forte. A influ?ncia que tinha tanto com os nadadores de sua equipe quanto com seus alunos vinha, segundo ele, de tr?s pilares: resultados de respeito, conhecimento com confian?a e comportamento inspirador. Em 2011, com sua conta no Facebook, ele percebeu que seus ensinamentos poderiam atingir um p?blico maior. Passou a estudar e se aprofundar em marketing digital e, a partir de 2014, seu conte?do j? era monetizado.

O primeiro milh?o com a internet ? n?o de likes, de reais ? veio em 2018. Em 2019, o primeiro grande viral: um v?deo espont?neo, durante uma corrida na praia, falando sobre nada menos do que disciplina. “N?o espere a motiva??o chegar para voc? come?ar. Comece, e a motiva??o vem.” O v?deo ultrapassou o milh?o de views, fazendo o creator acreditar que poderia se tratar de um golpe de sorte. Por?m, ao replicar o mesmo v?deo outras vezes e repetir o resultado, ele percebeu que n?o era sorte, era impacto real.

Desde ent?o, Joel acumula conquistas. Tem mais de 10 t?tulos publicados, com mais de 7 milh?es de exemplares vendidos, incluindo um recorde registrado pelo Guinness Book de maior n?mero de colaboradores em um livro, com sua publica??o A M?quina do Tempo: ela traz os conselhos de 576 executivos para os seus “eus” mais jovens. Fez parte do time do Shark Tank Brasil e j? colaborou com grandes marcas como XP, AWS, Uber e iFood. No mundo dos neg?cios, seu ecossistema engloba mais de 10 empresas, entre elas a Mentoring League Society, fundada junto com Fl?vio Augusto e Caio Carneiro, com proje??o de R$ 1,4 bilh?o de receita em 2026.

Na internet, s?o mais de 15,9 milh?es de seguidores somados em todas as plataformas, uma comunidade t?o engajada que suas palavras estampam n?o s? livros, mas a pele das pessoas, em forma de tatuagem. A frase mais famosa, que se tornou seu principal slogan, diz: “Sa?de, fam?lia, trabalho. N?o inverta a ordem”. Ao perder o pai ainda novo, por um problema grave de sa?de, Joel transformou sua dor no lema que guia sua vida, e que inspirou os milh?es que o acompanham. Apesar dos n?meros astron?micos nas redes, ele relativiza a m?trica de vaidade em prol do legado em casa: “S?o 15,9 milh?es de seguidores, mas de fato os obrigat?rios e para quem eu realmente devo ser exemplo s?o tr?s: meus filhos. Eles s?o os seguidores mais importantes da minha vida.” (JP)

Foto: Victor AffaroChef Ju Lima ? Top Creators 2026

Craque no preparo de carnes e empreendedora nata

Para entender a dimens?o dos neg?cios (e do comprometimento) de Juliana Lima, conhecida na internet como Chef Ju Lima, basta olhar para o quintal de sua casa: uma cidade cenogr?fica de Velho Oeste erguida com um investimento de R$ 1,5 milh?o. O espa?o, equipado com saloon, banco e cadeia, funciona como um ecossistema comercial pronto para integrar inser??es publicit?rias org?nicas e abrigar a grava??o de uma futura novela vertical.

No comando dessa estrutura est? uma das mulheres churrasqueiras mais seguidas do mundo. Formada em administra??o e diplomada em gastronomia pela Le Cordon Bleu, em Paris, a mineira de 31 anos subverteu o rigor da culin?ria francesa ao aplic?-lo ao churrasco e ? comida afetiva. Esse conhecimento, agregado ? internet, criou um sucesso digital que hoje soma 7,3 milh?es de seguidores no Instagram (onde n?o ? raro ter reels que ultrapassam os 10 ou 15 milh?es de views), 1,3 milh?o no TikTok e 660 mil inscritos no YouTube ? onde j? ultrapassa os 310 milh?es de visualiza??es.

Sua carreira digital foi constru?da a partir de uma frustra??o. Ap?s retornar da Fran?a, Juliana foi trabalhar em um tradicional restaurante franc?s em Belo Horizonte, mas a repeti??o di?ria a impedia de ser mais criativa. Durante o in?cio da pandemia, em 2020, ela postou seus primeiros v?deos de receitas e rapidamente percebeu a tra??o. Em vez de tratar as redes como hobby, passou a estudar tr?fego pago e marketing digital com intencionalidade. A grande virada de chave, contudo, ocorreu em 2021, na TV Globo. Ao entrar no reality Mestre do Sabor, o apresentador Claude Troisgros perguntou em qual restaurante ela trabalhava. “N?o sou chef de restaurante nenhum, eu sou chef de Instagram”, cravou.

A aud?cia rendeu 27 mil seguidores em um ?nico segundo e chancelou seu modelo de atua??o.
Nas redes, a estrat?gia de Ju Lima mescla inova??o, t?cnica e cultura brasileira. Ela engaja pela curiosidade ? como a matura??o de carnes em goiabada, chocolate ou mel, e a “picanha do amor”, feita com crosta de a??car ?, mas tamb?m aposta forte no didatismo. Um ?nico v?deo em que repete que o l?quido vermelho da carne crua n?o ? sangue bateu a marca de 50 milh?es de visualiza??es.

A versatilidade para furar bolhas a levou a gravar collabs com nomes de peso, como Fl?vio Augusto, Sorocaba e Ana Castela, al?m de participar de programas de Marcos Mion, Danilo Gentili e Faust?o na TV.
Atr?s das c?meras, a gest?o ? familiar, dividida entre Juliana, o marido e o irm?o. O escopo da empresa, por outro lado, tem escala. O portf?lio inclui contratos com marcas como RAM e Swift, a venda de cursos culin?rios, investimentos em gado de corte e terrenos, al?m de palestras sobre marketing digital ? sem contar o “miniest?dio Globo” na sua propriedade.

Para 2026, a meta ? triplicar o faturamento de R$ 5 milh?es alcan?ado em 2025. O grande motor dessa proje??o ? o lan?amento de uma marca de utens?lios de cozinha, em parceria com o influenciador viral Chef Otto, que j? nasce com a ambi??o de gerar R$ 5 milh?es no primeiro ano. “Sou uma empreendedora nata. Meus av?s eram, meus pais s?o. Est? no meu sangue.” (GS)

Divulga??oMaira Gomez ? Top Creators 2026

A for?a de uma voz ind?gena

Para entender o peso da influ?ncia de Maira Gomez ? ou J?goa, seu nome ind?gena ? ? preciso medir o impacto de seus v?deos n?o apenas em likes, mas em quil?metros. Antes de sua ascens?o na internet, os moradores de sua comunidade, ?s margens do Rio Negro, no Amazonas, a 35 quil?metros de Manaus, precisavam remar de canoa ou entrar at? cinco quil?metros na mata virgem em busca de ?gua pot?vel em um igarap?. Hoje, gra?as ? visibilidade de seu conte?do, a aldeia conquistou um po?o artesiano. “Agora todas as casinhas t?m ?gua encanada. J? n?o ? aquele sofrimento de pensar que no dia seguinte temos que andar quil?metros”, celebra.

Conhecida nas redes como Cunhaporanga (“mo?a bonita” em tupi), Maira soma, aos 27 anos, mais de 6,5 milh?es de seguidores apenas no TikTok. Pertencente ?s etnias Tatuyo (por parte de pai, o cacique da aldeia) e Wanano (por parte de m?e), ela se tornou a principal janela digital para desmistificar a cultura dos povos origin?rios. A jovem, que na inf?ncia dependia de um barco di?rio para ir ? escola e viajava ? cidade aos finais de semana para aprender inform?tica ? “para podermos pedir uma ambul?ncia em caso de emerg?ncia” ?, ? hoje um ?cone da creator economy.

A ind?gena viralizou ?s v?speras da pandemia com um v?deo comendo mochiva (uma larva de besouro extra?da da palmeira de bacaba?u) com farinha. O choque cultural rendeu ataques xenof?bicos de quem a acusava de “trazer a pr?xima covid comendo bichos estranhos”. A resposta de Cunhaporanga foi a educa??o. Mostrando que a iguaria ? heran?a ancestral e sin?nimo de sa?de, transformou o ?dio em curiosidade e passou a exibir as belezas de seu cotidiano: do artesanato ?s pinturas corporais, o preparo de alimentos e as palavras em seu idioma.

Hoje, turistas de todo o Brasil viajam at? a aldeia para conhec?-la, e o fluxo fomenta a economia local: cada fam?lia vende seu artesanato, gerando a renda que custeia materiais escolares e paga as contas de luz e da internet via sat?lite da comunidade. O alcance dessa voz levou a um marco impens?vel para a jovem que ganhou seu primeiro celular aos 17 anos: Maira foi imortalizada como uma boneca Barbie no anivers?rio de 65 anos da marca, representando as mulheres ind?genas brasileiras. “? uma lembran?a para mostrar que n?s tamb?m podemos estar ? frente na luta e dar voz para outras.”

Com novos projetos de turismo engatilhados e o sonho de cursar administra??o, marketing e artes c?nicas, Maira combate os estere?tipos de que o ind?gena “n?o gosta de trabalhar”. “N?s somos como qualquer um, podemos realizar nossos sonhos. Somos capazes de estar em uma universidade e exercer muitas profiss?es.”

Para a criadora de conte?do, essa emancipa??o comunit?ria e profissional caminha ao lado da responsabilidade global. Assume o papel de ponte entre o conhecimento ancestral e o futuro, e define seu trabalho como um chamado urgente ? preserva??o. “A gente j? est? fazendo a nossa parte, mas gostaria que os outros valorizassem mais o nosso planeta”, diz. “Se a natureza morrer, a gente tamb?m vai junto. A gente s? est? de p? porque ela est? de p?.” (MK)

Foto: Victor AffaroMarcella Tranchesi ? Top Creators 2026

De produtora de conte?do a empres?ria

Transformar visibilidade em influ?ncia j? ? um salto. Transformar influ?ncia em ativo de neg?cio ? um segundo salto ? que Marcella (Ma) Tranchesi, 34 anos, deu h? um ano e meio. Se conquistar 878 mil seguidores no Instagram e uma comunidade altamente engajada ? um feito, criar produtos (e garantir sua qualidade, a log?stica de entrega, a gest?o da marca) ? um desafio pertencente ao campo dos neg?cios.

Filha de Eliana Tranchesi, fundadora da Daslu, Marcella cresceu imersa no universo do varejo de luxo brasileiro. Mais do que acompanhar de perto a constru??o de uma das marcas mais esfuziantes do pa?s, absorveu desde cedo uma vis?o estrat?gica sobre curadoria, experi?ncia do cliente e constru??o de desejo. A conviv?ncia com uma opera??o que unia produto, narrativa e posicionamento moldou sua leitura de mercado e sua forma de empreender.

Sua entrada no digital aconteceu de forma natural, compartilhando conte?dos de moda, beleza e lifestyle. Com o tempo, esse espa?o evoluiu para uma atua??o estruturada, com parcerias relevantes ? como ser embaixadora do Leite Mo?a ou colaborar no desenvolvimento de maquiagens da MAC ? e uma audi?ncia fiel. Ao profissionalizar sua imagem mantendo a autenticidade, Marcella se tornou valiosa pela credibilidade e a capacidade de provocar engajamento real, um diferencial decisivo em um mercado cada vez mais saturado.

Essa base foi determinante para o nascimento da Doce Aquarella, sua marca de confeitaria, fundada em agosto de 2024. Criada a partir de receitas afetivas de inf?ncia e impulsionada pela demanda dos pr?prios seguidores, a empresa j? nasceu com valida??o de mercado e com um parceiro estrat?gico, a Rappi, respons?vel por viabilizar a log?stica e a agilidade das entregas. O resultado foi imediato: no lan?amento, mais de 200 pedidos em apenas tr?s minutos e, em menos de tr?s meses, cerca de 20 mil pedidos.

Hoje, a opera??o funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, contando com mais de 50 funcion?rios divididos em dois turnos e distribui seus produtos a partir de uma rede de 21 dark stores (centros de distribui??o, lojas exclusivas de atendimento online), alcan?ando 80 bairros de S?o Paulo e Campinas com entregas em at? 10 minutos. “Vejo esse crescimento consistente com muita alegria, focado em produto, qualidade, entrega e, principalmente, na conex?o que constru?mos com o p?blico.”

A Doce Aquarella traduz um modelo contempor?neo de neg?cio, que nasce j? conectado a uma audi?ncia e ? depois validado pelo consumo. Marcella soube transformar um conte?do emocional dos bolos, ligado ? mem?ria, ao afeto e ? experi?ncia, em uma opera??o estruturada, eficiente e escal?vel, sem abrir m?o da identidade que sustenta a conex?o com o p?blico.

Sem abandonar a rotina de cria??o de conte?do, Marcella se dedica com afinco ? gest?o do neg?cio, atuando diretamente na expans?o da marca, no desenvolvimento de novos produtos e na constru??o de parcerias estrat?gicas. Essa mentalidade empresarial ? sustentada por uma agenda carregada, cumprida com rigorosa disciplina ? est? na raiz do ritmo de crescimento acelerado de sua marca. (SP)

Foto: Victor AffaroMari Krüger ? Top Creators 2026

Ci?ncia em v?deos divertidos

?Como eu cheguei at? aqui? S? fiz um v?deo sobre gases intestinais”, diz a bi?loga e influenciadora Mari Krüger, 36. Em outubro de 2020, ela publicou o v?deo de apenas 15 segundos em que explicava, com caras e bocas e sem dizer uma palavra, o que acontece ao comer feij?o sem deix?-lo de molho. Viralizou e bateu 2 milh?es de visualiza??es. Hoje, tem 2,7 milh?es de seguidores s? no Instagram, parcerias com marcas como Ita?, Amazon e Pfizer e ? parada na rua para fotos. Mas n?o se deslumbra. “?s vezes come?o a chorar do nada, pensando em tudo que est? acontecendo. N?o consigo normalizar. ? muito maluco.”

Natural de Porto Alegre, formou-se em biologia pela UFRGS e iniciou um mestrado em ecologia. Em paralelo, atuava como atriz e fazia comerciais. Em um deles, de 2012, virou meme com o bord?o “Outlet? Adoro!”, que lhe rendeu um convite para tocar como DJ. “Aprendi 15 minutos antes da festa. Adorei aquela vibe”, lembra. Seguiu com as tr?s carreiras at? deixar o mestrado, quando a de DJ decolou. “Toquei no Brasil inteiro, na Sapuca?, no Maracan?, e tamb?m no Uruguai, em Portugal e na Espanha.”

A? veio 2020, e a pandemia. Sua agenda de shows (e a do namorado, hoje marido) foi cancelada. “Perdi pessoas da fam?lia, estava sem emprego. N?o tinha motiva??o para acordar.” Para ocupar a cabe?a, passou a publicar v?deos nas redes. “Transformei curiosidades da faculdade em conte?do. Era tanta fake news que quis desmentir.” Os v?deos bombaram desde o in?cio. As primeiras marcas, como O Botic?rio, chegaram. “N?o fazia ideia de que dava dinheiro. Na primeira publicidade, cobrei R$ 50 por v?deo, tr?s por R$ 150.”

Depois de estudar marketing digital e entender o trabalho por tr?s de cada produ??o ? que hoje pode levar at? um m?s ?, percebeu o potencial do neg?cio. “J? fiz publicidades de R$ 100 mil.” Seu diferencial ? a combina??o de humor com rigor cient?fico. “Fa?o v?deos engra?ados, com potencial viral, mas com evid?ncia cient?fica por tr?s. Isso me permite cobrar mais.”

Em um dos v?deos, com quase 20 milh?es de visualiza??es, aparece vestida de bact?ria, com um macac?o de chroma key verde; em outros, surge com um micro-ondas na cabe?a ou fantasiada de c?rebro. Na legenda, in?meros artigos cient?ficos e refer?ncias. “A desinforma??o tem um potencial viral gigantesco, ent?o uso as ferramentas que tenho. As pessoas acham que est?o vendo um videozinho engra?ado e acabam aprendendo.”

Em 2024, mudou-se para S?o Paulo e deixou a carreira de DJ para se dedicar ?s redes. “Demorou para enxergar isso como trabalho. Precisei de muita terapia.” Viralizar tem um pre?o: “Quanto mais eu cres?o, mais ?dio recebo.”

Para o futuro, planeja reduzir as publicidades, ampliar as palestras e explorar novos formatos, como o YouTube. “Sou muito criteriosa. Nego mais propostas do que aceito.” Tamb?m quer cuidar mais de si, ap?s sinais de estresse. “N?o tem como ficar imune. Postar um v?deo ainda ? muito tenso para mim.”
Ela consegue ficar, no m?ximo, duas horas sem o celular. “S?o as minhas f?rias”, brinca. Mas… “N?o me imagino fazendo outra coisa que n?o seja ensinar ci?ncia”, diz. E sua sala de aula n?o para de crescer. (FA)

Foto: Victor AffaroMari Saad ? Top Creators 2026

Os v?rios tons do sucesso

Um ano e meio ap?s o lan?amento da Mascavo, sua marca de maquiagem, Mari Saad est? voltando a olhar para dentro. “Eu virei a minha empresa”, diz a paulista de Jales, de 30 anos. Eleita Forbes Under 30 em 2018, ela usou sua influ?ncia e a credibilidade constru?da em 15 anos de internet para criar um neg?cio totalmente seu. “N?o teria tido tanta for?a sem uma comunidade t?o engajada. Mas a cobran?a tamb?m n?o seria t?o grande.”

Faturou R$ 100 milh?es no primeiro ano, com mais de 100 itens e presen?a em 2 mil pontos de venda. Mas garante que ? s? o come?o. Mari planeja expandir os pontos f?sicos (e ser comercializada na Sephora), lan?ar novos produtos e categorias e, no futuro, internacionalizar. “Enxergo a Mascavo como um projeto de vida. Quero que um dia ela n?o dependa s? de mim.”

As expectativas ? dela e do p?blico ? eram altas quando colocou os primeiros produtos no mercado. “Em 48 horas, sofri um cancelamento descomunal”, lembra. Os produtos n?o contemplavam peles negras e a empreendedora foi alvo de cr?ticas nas redes sociais. “Os erros iniciais foram um ponto de virada, n?o s? da marca, mas na minha vida.”

Hoje, prefere enxergar a crise como uma oportunidade para corrigir rapidamente a rota. “Passei a escutar o outro com responsabilidade”, diz. Depois de pesquisas e mudan?as na equipe, chegou a um portf?lio com 36 tonalidades de base, 24 tons de corretivo e oito de blush e contorno, al?m de acess?rios, iluminadores e outros itens. “Me fortaleceu. Qual problema pode ser maior?”

Diretora criativa da Mascavo, Mari cuida de tudo ? do desenvolvimento dos produtos ? execu??o no ponto de venda. Antes de empreender, testou o modelo e se estabeleceu no mercado com uma parceria de sete anos com a Oc?ane. “Foi um MBA. Ali eu entendi meu potencial com a maquiagem.” Em uma das collabs mais lucrativas do setor de beleza, lan?ou mais de 100 produtos e ganhou fama por suas esponjas de maquiagem e paletas vibrantes, com alta pigmenta??o e brilho. E ela queria mais. “Precisei assumir que n?o era dona do jogo. Desde o dia um j? sabia que iria buscar independ?ncia.”

A transi??o da cadeira de influenciadora ? iniciada aos 16 anos com tutoriais de maquiagem ? para a de empreendedora n?o foi simples. Mas, hoje, suas fun??es se retroalimentam. “Uso a minha comunidade como laborat?rio. Ser? que uma multinacional tem esse feedback t?o r?pido?” No Instagram e no TikTok, onde soma mais de 4 milh?es de seguidores, Mari divulga seus produtos e mant?m parcerias com grandes empresas como XP, Hering e Nespresso. “Hoje eu escolho as marcas com que quero trabalhar.”

O avan?o de novos players de beleza no Brasil, muitos deles criados por influenciadoras, n?o a incomoda. “N?o existe concorr?ncia, ? um ecossistema. Uma puxa a outra e esse movimento aquece o mercado.”
Muito al?m do trabalho, Mari tem outros sonhos e busca espa?o para realiz?-los. Est? passando pelo processo de congelamento de ?vulos. “Tenho o plano de ser m?e em um futuro pr?ximo, mas n?o paro de adiar”, confessa. “O futuro s? vai fazer sentido para mim se conseguir deixar minha marca no mundo, construir minha fam?lia e ter mais tempo de qualidade.” (FA)

Foto: Victor AffaroNath Finan?as ? Top Creators 2026

Educa??o financeira para pessoas de baixa renda

Durante anos, Nath?lia Rodrigues de Oliveira viveu a rotina exaustiva de milh?es de brasileiros. Acordava ?s 5h da manh? em Nova Igua?u (Baixada Fluminense), pegava duas ou tr?s condu??es ao centro do Rio, fazia est?gio at? o final da tarde e ent?o corria para a faculdade de Administra??o, onde ficava at? ?s 11h da noite. Voltava para casa por volta da meia-noite. O que ganhava no est?gio n?o pagava nem o transporte di?rio. Mas um conselho de um professor lhe deu o primeiro estalo do que seria seu futuro.
“Ele disse que n?o adianta querer empreender ou administrar um neg?cio se voc? n?o tem educa??o financeira. Pensei: ganho pouco e preciso aprender a administrar isso porque tamb?m ajudava em casa. Quando fui pesquisar na internet para montar um canal no YouTube s? encontrava conte?dos tipo ‘como fiz meu primeiro milh?o’. Isso era imposs?vel pra mim e me gerava uma frustra??o enorme porque parecia que o problema era comigo. Mas da? veio o segundo estalo e decidi focar em educa??o financeira para pessoas de baixa renda como eu”, diz Nath?lia, sobre o in?cio do canal Finan?as com Nath, em 2019 ? nome mais tarde alterado para Nath Finan?as.

Nath viu que muita gente, como ela, precisava se organizar financeiramente. Para n?o depender do cart?o de cr?dito e seus juros altos, para n?o exagerar no iFood ou Uber, para fazer render o m?ximo com o pouco que se ganha. “No in?cio do canal, falava muito sobre d?vida. Como sair do Serasa ou do SPC, como se organizar ganhando um sal?rio m?nimo. Falava muito sobre organiza??o financeira b?sica. Depois de sete anos com o grupo Nath Finan?as, essas perguntas continuam existindo. A diferen?a ? que o p?blico ficou mais diverso e se ampliou. Hoje tem empreendedorismo, casa pr?pria, fluxo de caixa. Mas continuo falando de finan?as reais para pessoas reais.”

As redes sociais da Nath Finan?as (destaque para Instagram, YouTube e TikTok, que somam cerca de 2,5 milh?es de seguidores) criaram uma comunidade que a fez seguir em frente. “As pessoas continuam comigo todos esses anos, acreditando no meu trabalho e, principalmente, transformando a pr?pria vida financeira. Isso ? o que mais me emociona.”

No que depender dela, muitas novas transforma??es ainda acontecer?o, pois o futuro do grupo j? est? bem definido. A ideia ?, basicamente, refor?ar a presen?a da marca tamb?m no presencial, com eventos, palestras e projetos educacionais em escolas e universidades p?blicas (o Educadin, pensado para crian?as, adolescentes e jovens adultos). Outro foco ? tecnologia com o Nath Play, uma plataforma de educa??o financeira que funciona como um hub financeiro que d? acesso a conte?dos em formato de streaming, planilhas, aplicativos, ferramentas de organiza??o financeira, tanto pessoais quanto de neg?cios, e mentorias pagas.

Em meio a isso, a igua?uana de 27 anos ainda arruma tempo para podcast (Fofocas Financeiras), livros (dois deles ilustrados por Ziraldo) e investimentos em neg?cios, cuidando de uma empresa que come?ou com ela e um celular e hoje conta com 30 funcion?rios. “O mais importante ? come?ar e acreditar que o seu trabalho pode gerar impacto na vida de algu?m”. (DS)

Foto: Victor AffaroToguro ? Top Creators 2026

Da rotina de treinos aos 30 milh?es de seguidores

Tiago Ribeiro de Lima foi criado pela m?e, filho ?nico muito protegido, na zona leste de S?o Paulo. O resultado ? que, tanto na inf?ncia como na adolesc?ncia, ele era o garoto que passava mais tempo em casa, vivia na internet e tinha poucos amigos. Ent?o, aos 18 anos, ali por volta de 2008, Tiago come?ou a registrar o que fazia de diferente: muscula??o. Talvez encontrasse no universo digital pessoas como ele. Era um momento em que as grandes redes sociais estavam come?ando e prometiam conex?o. Dessa forma nasceu Toguro (nome de um vil?o do anime japon?s: Yu Yu Hakusho).

“Vi nas redes sociais uma sa?da para me expressar, me comunicar. Virou esse espa?o onde conseguia existir de uma forma que n?o conseguia no mundo offline. Comecei mostrando minha rotina, meu estilo de vida, principalmente dentro da muscula??o, e minha disciplina e evolu??o pessoal. Com o tempo, entendi que n?o se tratava s? de postar os v?deos ? era construir uma comunidade. E isso transformou todo o trabalho”, disse.

No in?cio, Toguro focou na const?ncia das publica??es. Gravava tudo que fazia no seu dia e resumia em v?deos de 15 minutos para o seu canal no YouTube. “Era minha vida real. A muscula??o cada vez mais presente, o treino, minha alimenta??o. E o p?blico come?ou a se identificar com isso porque eles percebem quando ? de verdade, org?nico. Foi o que sustentou meu crescimento.”

Do YouTube para o Instagram e depois para o TikTok, Toguro se adaptou a novos formatos, mais curtos, e ampliou seu campo de a??o, de parcerias com suplementos alimentares ? cria??o de uma marca de energ?ticos de sucesso (Mans?o Maromba). Hoje, o influenciador que come?ou registrando sua rotina fitness tem cerca de 30 milh?es de seguidores nas redes (5,7 milh?es no TikTok; 10,8 milh?es no Instagram, 9 milh?es em tr?s canais do YouTube e 3,5 milh?es no Facebook). “A internet sempre vai ser minha base, ali constru? tudo. Mas hoje vejo isso como um ativo que me permite entrar em novos neg?cios.”

Falando em novos neg?cios, Toguro come?ou 2026 assumindo tr?s novos e surpreendentes desafios no mundo corporativo: head de comunica??o da farmac?utica Cimed; head de comunica??o digital do time de futebol Portuguesa (com sua marca, Mans?o Maromba, sendo a patrocinadora master do clube paulista) e VP da Rappi Brasil. “Esses trabalhos refor?aram para mim que o mercado est? mudando. N?o ? mais seguir um caminho tradicional, ? entender comportamento, executar e gerar resultado. O criador deixou de ser s? m?dia e passou a fazer parte da estrat?gia. Eu quero cada vez mais estar nesse lugar: construindo produtos e neg?cios.”

As 24 horas do dia se multiplicam na cabe?a inquieta de Toguro. Tem espa?o, aten??o, disciplina e humor para Mans?o Maromba, Cimed, Portuguesa, Rappi Brasil. “Continuo no mundo maromba, continuo seguindo meu lifestyle, porque essa jun??o faz parte do que eu sou. Mas n?o me limito a isso. O futuro para mim ? expans?o. Porque, no final, tudo volta para a consist?ncia. Sempre falo: quem vende hoje, vende amanh? e vende sempre.” (DS)

*Textos: Dafne Sampaio, Fernanda Almeida, Giovanna Simonetti, J?lia Padovani, Mariana Krunfli e Sofia Patsch
Fotos: Victor Affaro
Assistentes de foto: F?bio Del Monte Neto e Yuri Reuters
Arte: Anderson Miguel e Pedro Nascimento
Retouch: Rodrigo Gon?alves
Produ??o executiva: Lucas Mano
Beleza: Renan Tavares e Rodrigo Frois
Mobili?rio: Luiz Solano
Edi??o: David Cohen e D?cio Galina





Fonte: TV Alagoas

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