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Alfredo Gaspar e JHC foram adversários na campanha de 2020, com embates duros e ofensas pessoais. Em 2023, tornaram-se aliados, e a relação passou a ser tratada como estratégica. Desde então, Gaspar se afastou do antigo aliado, Renan Filho, e ganhou espaço na gestão municipal, com indicados à frente das secretarias de Saúde e Habitação, sendo considerado peça-chave no grupo do prefeito.
Esse equilíbrio começou a mudar quando Gaspar comunicou a intenção de disputar o Senado em 2026. O movimento foi visto no entorno de JHC como precipitado e isolado, por não ter sido discutido previamente dentro do grupo. A avaliação é de que o deputado “queimou a largada” e rompeu um pacto informal de que decisões majoritárias passariam antes por construção interna.
Nos bastidores, há a leitura de que a decisão teria sido estimulada por Arthur Lira, o que colocaria Gaspar em rota de colisão direta com os planos de JHC para o Senado. O prefeito nunca escondeu que trabalha uma estratégia própria para a vaga, hoje ocupada por sua mãe, a senadora Eudócia Caldas. Nesse cenário, os nomes mais cotados são o da primeira-dama Marina Candia ou do próprio JHC, a depender do desenho eleitoral.
JHC atua em dois tabuleiros: Governo e Senado. Se precisar escolher, a prioridade tende a ser o Senado, considerado de menor risco eleitoral. A antecipação de Gaspar contrariou esse plano e ampliou o distanciamento entre JHC e Arthur Lira. Como reação, o prefeito sinalizou uma reforma administrativa até o Carnaval, vista como recado claro aos aliados sobre permanência ou saída do governo.
Não há rompimento formal, mas o ambiente mudou. JHC passou a reavaliar movimentos e retomou diálogo com Davi Davino Filho, também pré-candidato ao Senado. A decisão final só deve ocorrer até 4 de abril. Até lá, os passos serão calculados, pois, na política alagoana, antecipar o jogo pode custar caro.
Fonte: Blog do Edivaldo Júnior





