Pitorro: Tudo sobre o Destilado de Porto Rico Que Bad Bunny Deixou Famoso

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O pitorro, tamb?m chamado de cañita, ? a “moonshine” original de Porto Rico: um destilado de cana-de-a??car de alto teor alco?lico que surgiu fora das grandes casas de rum, compartilhado em mesas de fam?lia e tradicionalmente servido no Natal. Por gera??es, existiu em uma economia paralela ? feito em casa, aromatizado e passado de m?o em m?o.

Agora, vive um momento mais mainstream. Um aumento na aten??o da cultura pop levou o pitorro de uma tradi??o porto-riquenha ? curiosidade do p?blico mais amplo nos Estados Unidos, e o mercado responde com vers?es licenciadas produzidas na ilha e tamb?m pela di?spora.

O interesse do consumidor pela bebida potente cresceu ainda mais quando ela foi destacada durante o show do intervalo do Super Bowl pelo artista porto-riquenho mais famoso, Bad Bunny.

Show de Bad Bunny foi o mais visto da hist?ria do Super Bowl: 135 milh?es de espectadores

A seguir, um guia sobre as origens do pitorro, seus principais estilos ? do Blanco ao Curado, passando por infus?es de frutas e bil? ? al?m de notas de degusta??o de alguns produtores e r?tulos mais conhecidos.

O que ? pitorro?

Em sua ess?ncia, o pitorro ? o rum reduzido ao seu n?cleo essencial: um destilado de cana-de-a??car de alto teor alco?lico produzido fora das casas formais de rum. Historicamente, sua produ??o era muitas vezes clandestina. Geralmente consumido sem envelhecimento, estava intimamente ligado a rituais familiares. Por isso, ? conhecido como a “moonshine” porto-riquenha ou rum artesanal clandestino. Tradicionalmente, era infusionado com uvas-passas, ameixas secas, canela e outras frutas e especiarias. Engarrafado entre 15% e 50% de teor alco?lico (ABV), era amplamente consumido durante as festas de Natal.

A trajet?ria do pitorro reflete a realidade agr?cola hist?rica de Porto Rico. Era a bebida do homem pobre ? um al?vio ap?s o trabalho exaustivo nos canaviais da ilha. No in?cio, era produzido nas regi?es montanhosas remotas a partir de caldo fresco de cana, sem aromatiza??o, e consumido ao fim de um longo dia de corte de cana.

Com o tempo, a pr?tica de aromatizar o pitorro evoluiu, especialmente ? medida que ingredientes mais est?veis se tornaram comuns. Hoje, a tradi??o j? ic?nica do Curado envolve curar ou infusionar o pitorro com frutas secas e especiarias para suavizar suas arestas, ado?ar o sabor e acrescentar profundidade arom?tica e textura.

Frame do videocilpe da m?sica PIToRRO DE COCO de Bad Bunny

Atualmente, o pitorro existe em dois mundos paralelos. Um permanece na economia dom?stica e sazonal, com garrafas artesanais compartilhadas no Natal, servidas nas mesas familiares e usadas em bebidas como o coquito. O outro ? uma categoria emergente de bebida licenciada, produzida por pequenas destilarias em Porto Rico e por engarrafadores da di?spora no exterior, oferecendo um destilado com gradua??o alco?lica definida, r?tulos e perfis de sabor consistentes.

As quatro principais varia??es de pitorro

Pitorro Blanco / Cañita

Sem aromatiza??o, remete ?s origens da bebida como moonshine ind?gena porto-riquenha. Apresenta aromas de caldo fresco de cana, mela?o leve, notas verdes/vegetais e pimenta-branca, com um nariz marcadamente alco?lico.

No paladar, ? seco, potente e com sensa??o alco?lica intensa, de corpo m?dio. O meio de boca ? limpo e vibrante, destacando um car?ter robusto de “rum moonshine” em vez do perfil polido t?pico dos runs de coluna.

O final ? curto a m?dio, quente, mineral e seco, com notas marcantes de pimenta e uma do?ura de cana cristalizada que desaparece rapidamente. As vers?es comerciais costumam ter entre 35% e 50% ABV, enquanto as variantes familiares podem ser consideravelmente mais alco?licas.

Pitorro Curado Tradicional

Os curados s?o tradicionalmente aromatizados com uvas-passas, ameixas secas e canela, embora outras frutas secas e especiarias ? como cravo, anis, noz-moscada e baunilha ? tamb?m sejam comuns. Trazem aromas de p?o com passas, ameixas cozidas, especiarias de confeitaria, a??car mascavo e mela?o leve.

No paladar, s?o macios, viscosos e doces, com peso percept?vel em boca. A do?ura dos a??cares das frutas “amortece” o calor do ?lcool, enquanto as especiarias acrescentam profundidade arom?tica e complexidade em camadas.

O final ? longo, frutado e suavemente seco, com notas persistentes de canela e cravo, al?m de um eco de frutas escuras.

Pitorro com Infus?o de Frutas Tropicais

Essas vers?es utilizam frutas frescas como coco, abacaxi, maracuj?, manga, goiaba e tamarindo, em vez de frutas secas.

Apresentam aromas vibrantes de fruta sobre uma base de rum de cana. As vers?es de coco s?o cremosas e oleosas; as de tamarindo s?o ?cidas e agridoce; as de maracuj? s?o perfumadas e arom?ticas.

Bad Bunny celebrando o lan?amento do ?lbum Deb? Tirar M?s Fotos com garrafa de pitorro de coco

No paladar, tendem a ser mais doces e agrad?veis ao grande p?blico. As texturas variam de c?trica e vibrante (como no tamarindo) a macia e cremosa (como no coco).

O final ? m?dio, frequentemente muito arom?tico, com notas persistentes de fruta fresca e nuances alco?licas t?picas de rum.

Pitorro Bil?

O bil? ? o pitorro infusionado com quenepa (tamb?m conhecida como limoncillo ou Spanish lime). Esse estilo tradicional, associado ? ilha de Vieques, costuma ser ado?ado e condimentado.

Apresenta aromas de frutas tropicais de caro?o, notas que lembram lichia, casca de c?tricos e especiarias sutis. No paladar, ? doce e ?cido, com textura suave e sabor que remete a uma “salada de frutas tropicais” sobre uma base de destilado de cana. O final ? m?dio, arom?tico, frutado e levemente quente.

O coquito caseiro porto riquenho, semelhante ao eggnog, costuma ser feito com pitorro e ? um dos favoritos das festas de Natal

Principais marcas de pitorro

Destiler?a Coqu?, Inc. ? Mayagüez, Porto Rico

Produtora moderna que engarrafa produtos no estilo pitorro para venda local. Oficialmente, ? vendido apenas em Porto Rico, mas ocasionalmente pode ser encontrado em mercearias porto-riquenhas nos EUA.

Pitorro Blanco, 35% ABV, 750 ml

Aroma de destilado limpo de cana com leve mela?o, notas vegetais discretas e toque de pimenta. No paladar, apresenta do?ura seca de cana seguida por meio de boca vibrante e levemente mineral. Textura m?dia-leve e fresca, n?o cremosa. Final curto a m?dio, quente e levemente apimentado.

Pitorro Caf?, 35% ABV, 750 ml

Aromas de caf? torrado, cacau em p? e leve fundo adocicado de rum de cana. No paladar, notas de espresso e mocha sobre base suave de mela?o. Do?ura lembrando bala caramelizada, com perfil de sobremesa. Textura mais macia e arredondada que a do Blanco, com leve oleosidade. Final m?dio, com destaque para o caf?, notas persistentes de cacau e leve toque de caramelo.

Pitorro Parcha (maracuj?), 35% ABV, 750 ml

Aromas intensos de maracuj? e outras frutas tropicais. Muito arom?tico e levemente ?cido. No paladar, predominam notas doces e ?cidas de polpa de fruta sobre base leve de destilado de cana. Textura leve, quase de licor, f?cil de beber. Final m?dio a curto, frutado e arom?tico, com notas persistentes de frutas tropicais e maracuj?.

Pitorro Tamarindo, 15% ABV, 750 ml

Aromas de pasta de tamarindo, bala agridoce e leve a??car mascavo. No paladar, ? ?cido, especialmente no meio de boca, com do?ura mais escura lembrando cola. Textura leve, mas com sensa??o levemente “pegajosa”, t?pica do tamarindo. Final m?dio-curto, doce e ?cido, suavemente quente.

Pitorro Coco, 15% ABV, 750 ml

Aromas de creme de coco e a??car de confeiteiro, com leve nota de destilado de cana. No paladar, sabores de coco doce e baunilha com base suave de rum. O coco confere textura cremosa e macia ? como uma torta de creme de coco alco?lica. Final curto a m?dio, com notas persistentes de coco doce.

San Juan Artisan Distillers ? Vega Alta, Porto Rico

Produtora com opera??o de fazenda que tamb?m elabora rum no estilo agr?cola (agricole). A linha Tresclavos ? posicionada como rum de cana infusionado com frutas porto-riquenhas de origem local, sem conservantes ou corantes artificiais. S?o sete express?es, todas com 30% ABV.

Esses pitorros se aproximam mais de um licor de rum de cana com foco em fruta do que do pitorro tradicional clandestino de alto teor alco?lico. S?o pensados para consumo descontra?do e uso em coquet?is.

Pitorro Passion Parcha

Aromas intensos de maracuj? e flores tropicais. No paladar, doce, ?cido e vibrante, com nota percept?vel de destilado de cana sob a fruta. Textura leve a m?dia, refrescante e f?cil de beber. Final longo, arom?tico e centrado na fruta.

Pitorro Bil?

Aromas do perfume tropical verde da quenepa e notas de casca c?trica. No paladar, doce e ?cido, levemente herbal, com notas de rum de cana ao fundo. Textura suave e f?cil de beber ? ideal para o ver?o com gelo. Final longo, perfumado e levemente quente.

Pitorro Ginger Spice / Coco Loco / Sweet Piña / Rumba Mango / Tuti Fruits ? 35% ABV, 750 ml

Essas vers?es de sabor ?nico apresentam base consistente de rum de cana e identidade clara de cada ingrediente. O gengibre traz calor e secura; o coco, cremosidade; o abacaxi, acidez vibrante; a manga, do?ura tropical macia; e o Tuti Fruits lembra uma salada mista de frutas tropicais em copo.

Sela??o de pitorros da Casa W Distillery

Casa W Distillery ? Wyomissing, Pensilv?nia

A Casa W Distillery ? uma produtora da di?spora que engarrafa m?ltiplas express?es de pitorro. O teor alco?lico varia de 35% a 50%. A empresa afirma n?o utilizar aditivos, corantes ou aromatizantes artificiais, embora isso possa variar conforme a express?o.

Pitorro Cl?sico, Raisin, Prune, Spiced Rum, Passion Fruit ? 50% ABV, 750 ml

Esses pitorros s?o feitos a partir de Pitorro Blanco e infusionados com diferentes combina??es de uvas-passas, ameixas secas, cravo, maracuj?, canela, anis-estrelado e baunilha. No nariz, surgem aromas de bolo de frutas, ameixa cozida, cravo, anis e baunilha. No paladar, destacam-se frutas secas escuras e especiarias de confeitaria sobre uma base firme de destilado de cana. A textura ? mais encorpada e robusta, por?m macia e com sensa??o mais glicerinada. O calor do ?lcool ? percept?vel, mas bem integrado. O final ? longo, condimentado e quente.

Pitorro de Tamarindo ? 35% ABV, 750 ml

Apresenta aromas de doce de tamarindo e a??car mascavo, com acidez tropical marcante. No paladar, traz tamarindo doce e ?cido sobre base de rum, com textura suave e m?dia a leve. O final ? m?dio, ?cido e refrescante.

Pitorro de Piña (Abacaxi) ? 35% ABV, 750 ml

No nariz, aromas de suco de abacaxi fresco e concentrado. No paladar, a do?ura do abacaxi maduro se destaca sobre a base de destilado de cana. A textura ? leve e adequada para coquet?is. O final ? m?dio-curto, doce e frutado, com notas persistentes de abacaxi.

Coconut Pitorro ? 40% ABV, 750 ml

Aromas de creme de coco e baunilha doce. No paladar, o rum aparece de forma mais evidente devido ao teor alco?lico mais alto. A textura ? suave, cremosa e levemente oleosa, com presen?a marcante em boca. O final ? m?dio, doce e cremoso, com notas prolongadas de coco.

Puerto Rico Distillery ? Brunswick, Maryland

Clandestino Pitorro

A Puerto Rico Distillery ? uma destilaria da di?spora que apresenta o pitorro como “o rum original de Porto Rico”, termo citado desde 1797, preservando seu estilo tradicional. Em termos de estilo, remete ao pitorro caseiro com o qual muitos porto-riquenhos est?o familiarizados durante o Natal.

A linha principal inclui: Classic (sem sabor), Traditional (uvas-passas, ameixas secas, cranberry), Almond (extrato de am?ndoa, a??car mascavo e mel), Coconut, Pineapple (com mel), Coffee (caf? torrado em Manat?, Porto Rico) e Coconut Chai, al?m de sabores limitados rotativos como tamarindo, maracuj?, manga com mel, kiwi e butter pecan.

Os aromas correspondem fielmente a cada variedade, mas refletem uma base de rum mais alco?lica devido ao teor elevado. No paladar, o Classic Pitorro apresenta car?ter limpo de rum de cana/mela?o ? seco e quente, como esperado.

O pitorro Traditional traz sabores de frutas secas, como uvas-passas e ameixas, com perfil mais suave e arredondado, alinhado ao estilo hist?rico Curado.

O pitorro de caf? exibe aromas intensos de gr?os de caf? torrado, notas de espresso, mela?o leve e final mais escuro e especiado.

As vers?es Coconut, Pineapple e Almond s?o mais doces e arom?ticas, com notas marcantes dos sabores destacados e uma base s?lida de rum. S?o leves, f?ceis de beber e pensadas para serem acess?veis.

Puerto Rico Distillery ? Brunswick, Maryland

Clandestino Pitorro

A Puerto Rico Distillery ? uma destilaria da di?spora que apresenta o pitorro como “o rum original de Porto Rico”, termo citado desde 1797, preservando seu estilo tradicional. Em termos de estilo, remete ao pitorro caseiro com o qual muitos porto-riquenhos est?o familiarizados durante o Natal.

A linha principal inclui: Classic (sem sabor), Traditional (uvas-passas, ameixas secas, cranberry), Almond (extrato de am?ndoa, a??car mascavo e mel), Coconut, Pineapple (com mel), Coffee (caf? torrado em Manat?, Porto Rico) e Coconut Chai, al?m de sabores limitados rotativos como tamarindo, maracuj?, manga com mel, kiwi e butter pecan.

Os aromas correspondem fielmente a cada variedade, mas refletem uma base de rum mais alco?lica devido ao teor elevado. No paladar, o Classic Pitorro apresenta car?ter limpo de rum de cana/mela?o ? seco e quente, como esperado.

O pitorro Traditional traz sabores de frutas secas, como uvas-passas e ameixas, com perfil mais suave e arredondado, alinhado ao estilo hist?rico Curado.

O pitorro de caf? exibe aromas intensos de gr?os de caf? torrado, notas de espresso, mela?o leve e final mais escuro e temperado.

As vers?es Coconut, Pineapple e Almond s?o mais doces e arom?ticas, com notas marcantes dos sabores destacados e uma base s?lida de rum. S?o leves, f?ceis de beber e pensadas para serem acess?veis.

O momento do pitorro

O apelo do pitorro ? simples: ele carrega o sabor do passado a?ucareiro de Porto Rico, mas funciona como uma categoria moderna. Na vers?o Blanco, ? direto e sem concess?es ? destilado de cana, pimenta e calor alco?lico. Na forma Curado, suaviza-se e se torna mais generoso, com frutas secas e especiarias arredondando as arestas e prolongando o final. As infus?es de frutas o levam a um territ?rio mais amig?vel ao grande p?blico, enquanto o Bil? permanece como a assinatura mais distintiva da ilha: a quenepa transformando o destilado de cana em algo perfumado, agridoce e inconfundivelmente porto-riquenho.

A grande mudan?a ? que o pitorro j? n?o est? restrito a fundos de quintal e cozinhas natalinas. Produtores licenciados na ilha e em toda a di?spora porto-riquenha est?o padronizando gradua??es alco?licas, refinando perfis de sabor e tornando a bebida acess?vel a novos consumidores, sem apagar aquilo que a tornou ?nica.

Ao come?ar no universo do pitorro, experimente um exemplar de cada categoria: um Blanco de maior teor alco?lico para entender a estrutura, um Curado tradicional para perceber a profundidade e um Bil? ou uma infus?o de frutas para explorar os aromas. Essa pequena degusta??o explica por que o pitorro pode parecer ao mesmo tempo ancestral e atual ? e por que, de repente, entrou no radar de todo mixologista.

*Mat?ria originalmente publicada em Forbes.com





Fonte: TV Alagoas

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