O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou nesta segunda-feira (13) que o Reino Unido não apoiará o bloqueio americano do Estreito de Ormuz e insistiu que a prioridade é a reabertura total da via marítima.
Todos os esforços diplomáticos e políticos do Reino Unido estão focados em alcançar “a abertura total do estreito”, disse hoje Starmer à Radio 5 da emissora britânica BBC.
O primeiro-ministro afirmou que o que o Reino Unido tem feito nas últimas semanas é unir os países para conseguir manter o estreito aberto e “não fechado”.
“Enquanto o estreito permanecer fechado ou não estiver livre para a navegação como deveria, o petróleo e o gás não chegarão ao mercado. Isso significa que os preços subirão. Isso significa que todos os que nos ouvem enfrentarão faturas de energia mais altas. E não quero que isso aconteça”, acrescentou o líder trabalhista.
“O aumento dos custos deve-se em grande parte às ações do Irã ao fechar, total ou parcialmente, o Estreito de Ormuz”, declarou.
Devido à guerra, o Irã bloqueou quase totalmente o Estreito de Ormuz, por onde cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo transitavam antes do conflito, iniciado em 28 de fevereiro.
Na semana passada, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas, mas o Irã voltou a bloquear Ormuz porque alegou que a trégua foi desrespeitada com os ataques de Israel ao Líbano, onde os israelenses enfrentam o grupo terrorista Hezbollah, aliado do Irã. Estados Unidos e Israel afirmam que o cessar-fogo com o Irã não inclui o Líbano.
Após negociações no Paquistão no fim de semana não terem resultado num acordo, o presidente americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos farão seu próprio bloqueio de Ormuz, que não permitirá a entrada ou saída de qualquer navio pela passagem.
O presidente americano também disse que a Marinha dos EUA vai interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã para transitar pelo estreito e bloqueará a entrada e saída de navios de portos iranianos a partir das 11 horas de Brasília desta segunda-feira.
Na semana passada, Starmer disse estar “farto” das ações de Trump e do ditador russo, Vladimir Putin, que estão interferindo nos preços da energia no Reino Unido – em referência à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e à invasão da Rússia à Ucrânia, que elevaram preços do petróleo e do gás.
Trump tem criticado os aliados europeus na Otan por não ajudarem na reabertura de Ormuz e recentemente ridicularizou o Reino Unido, ao dizer que o país “sequer tem Marinha”.
Fonte: Gazeta do Povo.




