Quanto Custa Começar no Kitesurf? Investimento Chega a Mais de R$ 18 Mil 

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Talvez você já tenha ouvido falar sobre o kitesurf, apontado como o esporte de luxo do momento. O Brasil, em especial, possui um dos litorais mais bonitos e adequados ao esporte. Há points de norte a sul, desde a Praia do Preá, no Ceará, e São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, até Ibiraquera, em Santa Catarina.

“Eu me apaixonei muito pelo lifestyle do esporte. Não é só subir na prancha e velejar. O que me encanta muito é viver o pós-kite, em que você se senta na praia, toma uma cervejinha gelada, come alguma coisa gostosa e todo mundo se encontra”, menciona Nanda Cunha, empresária e kitesurfista há cinco anos.  

Para quem quer iniciar a prática esportiva aquática – que combina lifestyle, adrenalina e meditação –, o investimento inicial em aulas e equipamentos pode ir de R$ 8,5 mil e ultrapassar os R$ 18 mil, segundo especialistas. Por ser uma modalidade radical e de alto custo, é fundamental saber por onde começar e como investir. Por isso, a Forbes detalha os itens necessários, principais dificuldades e dicas para iniciantes.

Divulgação/Casana HotelA prática radical deve priorizar a segurança

Escolha da pipa de kite

Como o próprio nome indica – kitesurf –, o esporte requer uma pipa para auxiliar no velejo junto da prancha. Celso da Mata Freitas, instrutor de kitesurf e líder de Sports Team do Casana Hotel, enumera os equipamentos indispensáveis para iniciar o esporte.

  1. Pipa (kite): responsável pela tração, deve ser escolhida de acordo com o peso do praticante e as condições de vento.
  2. Barra de controle: conecta a pessoa à pipa, permitindo direcionar, dosar potência e acionar os sistemas de segurança.
  3. Prancha: normalmente do tipo twin tip para iniciantes, por oferecer mais estabilidade e facilitar o controle.
  4. Trapézio: utilizado na cintura ou no quadril, ajuda a distribuir a força do kite pelo corpo, reduzindo o esforço físico.
  5. Colete de impacto: auxilia na flutuação e protege contra impactos, especialmente durante o aprendizado.
  6. Capacete: fundamental para a segurança, principalmente nas fases iniciais.
  7. Leash de segurança: mantém o kite conectado ao praticante em situações de emergência.

Antes de adquirir os próprios equipamentos, é importante ressaltar que muitas escolas de kitesurf disponibilizam todo o material durante as aulas. A kitesurfista Nanda recomenda aos iniciantes no esporte que esperem ganhar um pouco mais de experiência antes de comprar seu próprio kit, já que se trata de um custo considerável.

Divulgação/Crazy Wake DubaiCelso da Mata Freitas

O instrutor Celso Freitas explica as faixas de valores previstos: “O investimento pode variar bastante, dependendo da opção por equipamentos novos ou usados, das marcas escolhidas e das tecnologias envolvidas”. 

No caso de equipamentos usados, o valor pode variar de R$ 6 mil a R$ 8 mil. A combinação de itens novos e usados pode custar em torno de R$ 9 mil a R$ 12 mil. Já o investimento em equipamentos 100% novos e, especialmente, de marcas premium, pode ultrapassar os R$ 15 mil. 

Além dos itens em si, há custos com cursos de kitesurf. Segundo Freitas, um curso básico pode variar entre R$ 2,5 mil e R$ 5 mil, geralmente incluindo equipamentos e acompanhamento de instrutor certificado. Já aulas avulsas ou de progressão custam, em média, entre R$ 300 e R$ 600 por hora. Caso haja o interesse por um treinamento contínuo ou avançado, os valores podem ultrapassar R$ 3 mil a depender da frequência, o período e do nível do aluno.

Um clube só para você

Para os mais apaixonados pelo esporte – que buscam treinar ao menos por algumas temporadas no ano – existem clubes de praia com diferentes modelos de associação e hospedagem. O Carnaúba Wind House, localizado no Preá (CE), é um desses exemplos.

O clube oferece categorias de títulos: 

  1. Vento: com mensalidade de R$ 2.760 e valor de aquisição de R$ 745 mil, oferece R$ 100 mil anuais em crédito de hospedagem, o equivalente a quatro a oito semanas de estadia.
  2. Mar: com um custo mensal de R$ 1.380 e R$ 410 mil na titularidade, é oferecido R$ 50 mil de crédito por ano, correspondente a 2 a 4 semanas em hospedagem.
  3. Praia: com um investimento de R$ 250 mil no título e R$ 690 na mensalidade, proporciona R$ 25 mil em estadia de 1 a 2 semanas. 

Além das comodidades da hospedagem, o sócio também pode usar os equipamentos de kitesurf do clube à vontade, de forma gratuita, durante o período da estadia. Apenas as aulas possuem um valor a ser pago separadamente. 

Como começar: Um dia de cada vez

O kitesurf não exige apenas investimento financeiro, mas também tempo e paciência. Após cinco anos de prática, Nanda lembra dos seus primeiros dias de treino. “É muito difícil o começo, chega a ser desesperador. Acho muito importante falar isso para quem me pergunta. É um esporte que acaba filtrando muita gente nessa primeira semana”, relata.

Segundo a kitesurfista, os três primeiros dias podem ser mais cautelosos e lentos. Nos dois treinos iniciais, em geral, tudo ainda é feito na areia para aprender a controlar o kite. “Se ele sente que você já está com bastante firmeza e tá indo bem, ele pode até te colocar na água. É no quarto dia que você realmente sobe na prancha”, conta Nanda.

Arquivo PessoalNanda Cunha

Freitas estima o tempo necessário para o praticante chegar em cada nível de habilidade. “O ritmo de evolução varia conforme a frequência de prática, as condições de vento, o preparo físico e a dedicação do aluno”, afirma. Para atingir o nível básico, entre 5 e 10 aulas, o praticante aprende os fundamentos de segurança, controle do kite e os primeiros deslocamentos na água.

Para avançar para o nível intermediário, com maior autonomia no velejo e controle da prancha, o aluno leva em torno de 3 a 6 meses. Já o nível avançado, envolvendo saltos, manobras e domínio técnico em diferentes condições de vento e mar, pode levar de 1 a 2 anos de prática.

Apesar das inúmeras qualidades do Preá, Nanda aconselha que os iniciantes optem por outras localidades para começar. “Em termos de estrutura, de escolas e hotéis, a região realmente é uma das melhores, porém, são condições mais difíceis para aprender, porque os ventos são mais fortes”, afirma. Entre as alternativas, ela cita Tatajuba e Guriú, também no Ceará, Barra Grande (BA), São Miguel do Gostoso (RN), entre outras.

Com uma prática diária de 2 horas, ela diz que a principal dificuldade que enfrentou no começo foi reeducar as reações do seu corpo em momentos de medo. “A maioria começa com a mesma dificuldade, quando o ser humano sente medo, ele se agarra. Mas precisa ser o oposto no kitesurf, porque, quando você puxa a barra, causa pressão na pipa e você acaba tendo pulos que te fazem cair na água de cara”, pontua.

Divulgação/Casana HotelTreino de kitesurf exige tempo e paciência

Freitas acrescenta que outro desafio da modalidade é o controle do kite aliado à leitura do vento e do ambiente. Conquistar essa habilidade exige uma coordenação motora, atenção constante e tomada de decisão rápida, em sua visão. Por esse motivo, é sempre importante priorizar a segurança e evitar treinar solo nas fases iniciais. 

A dificuldade, no entanto, pode se transformar no diferencial do esporte. “É quase como uma meditação em movimento, porque você tem que se conectar mesmo com tudo isso, senão você não consegue. Se outras coisas começarem a ocupar a sua mente, você se desconcentra”, conta Nanda.





Fonte: TV Alagoas

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