O Vaticano não participará do chamado Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. Ao fim de uma reunião na Embaixada da Itália junto à Santa Sé, Parolin foi questionado pela imprensa sobre a participação na iniciativa e explicou que o Vaticano está recusando o convite devido à sua “natureza particular, que claramente não é a mesma que a de outros Estados”.
Em 21 de janeiro, o Vaticano havia confirmado que o papa Leão XIV havia recebido o convite do governo americano e que a proposta estava sendo avaliada naquele momento. “Sabemos que a Itália participará como observadora”, afirmou Parolin, que ressaltou haver “pontos que nos deixam um tanto perplexos” e “pontos críticos que precisam ser esclarecidos”. O cardeal disse que, embora “o importante seja que se esteja tentando dar uma resposta”, para a Santa Sé há “questões que precisam ser resolvidas”.
México participará apenas como observador, afirma presidente
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou nesta terça-feira que o país enviará seu embaixador às Nações Unidas como observador do Conselho de Paz, justificando a recusa em participar da entidade devido à necessidade de incluir todas as partes nos processos de paz no Oriente Médio. “Neste caso, quando se trata especificamente da paz no Oriente Médio, da Palestina, visto que reconhecemos a Palestina como um Estado, a participação de ambos os Estados, Israel e Palestina, é importante. E não é assim que a reunião está estruturada”, enfatizou.
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“Fomos convidados a participar como observadores, e, se não fôssemos participar, deveríamos participar como observadores. O ministro das Relações Exteriores e eu decidimos que nosso embaixador nas Nações Unidas atuaria como observador”, declarou a presidente mexicana durante entrevista coletiva. O México historicamente mantém uma política externa baseada em princípios como a solução pacífica de controvérsias e o respeito ao direito internacional, o que norteou sua posição sobre o conflito no Oriente Médio e seu reconhecimento do Estado da Palestina. Nos últimos anos, o país tem apoiado iniciativas multilaterais com o objetivo de promover negociações entre as partes.
Conselho tem representantes de pelo menos 35 países
O Conselho de Paz, criado por Trump para resolver conflitos globais, busca supervisionar a implementação do plano de 20 pontos do presidente, com o objetivo declarado de pôr fim à guerra entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas. O grupo realizará sua primeira reunião na quinta-feira em Washington, com a participação de pelo menos 35 chefes de Estado e de governo, incluindo os de Israel e Egito. O maior número de países é da região do Oriente Médio e da Ásia Ocidental: Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes e Paquistão. Em segundo lugar na lista estão os países da Ásia Central e do Sudeste Asiático: Cazaquistão, Uzbequistão, Mongólia, Camboja, Indonésia e Vietnã. Da América Latina, Argentina, El Salvador e Paraguai também entraram para a lista.
Cinco países europeus estão no conselho: Albânia, Belarus, Bulgária, Hungria e Kosovo. Países como França, Espanha e Suécia recusaram o convite, e a Itália participará como observadora. O chanceler italiano, Antonio Tajani, defendeu nesta terça-feira a presença de seu país, e afirmou que não há alternativas viáveis à proposta dos EUA e que uma ausência seria “politicamente incompreensível”, embora não tenha especificado quem chefiará a delegação italiana na reunião de quinta-feira.
Fonte: Gazeta do Povo.




