A agência de notícias Bloomberg apontou uma semelhança entre a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a do americano Joe Biden que pode se tornar um obstáculo para o petista nas eleições de outubro, assim como foi para o democrata: a reduflação – quando há redução do volume de produtos nas prateleiras dos mercados, mas os preços continuam estáveis ou em alta.
Segundo a publicação, essa estratégia que vem ganhando cada vez mais espaço na América Latina representa um risco político para o presidente enquanto busca a reeleição, visto que afeta diretamente o consumidor brasileiro.
A agência de notícias utiliza como exemplos dessa prática desde barras de chocolate – que têm seu tamanho reduzido, embora os preços permaneçam altos – até o café. A Bloomberg destaca que Lula retornou ao cargo mais importante do Brasil prometendo melhores condições de vida para os brasileiros de baixa renda e a recuperação do poder de compra, no entanto, o risco de uma elevação da inflação, principalmente em meio à guerra no Oriente Médio, põe em risco sua tentativa de se manter no Palácio do Planalto.
“A narrativa do ícone da esquerda torna-se cada vez mais difícil de sustentar diante do que provavelmente será uma disputa acirrada em outubro”, diz um trecho da reportagem.
A situação se assemelha, em algumas partes, com a dificuldade encontrada por Biden para a reeleição em 2024. Naquela ocasião, o ex-presidente americano criticou a reduflação, considerando-a um “roubo”, na tentativa de manter o apoio de seus eleitores em relação ao preço. No entanto, sua mensagem não foi capaz de evitar a perda de votos.
No Brasil, Lula enfrenta um desafio semelhante, que é o de lidar com uma forma de inflação “oculta” que é mais difícil de explicar — e ainda mais difícil de conter — enquanto os preços dos alimentos continuam pesando no bolso, aponta a Bloomberg.
O governante de esquerda utiliza uma estratégia semelhante a Biden: um redirecionamento de discurso, enquanto dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) tentam conter uma possível debandada de apoiadores.
Isso já está acontecendo. Em uma mensagem neste mês, Lula culpou o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pelo conflito no Oriente Médio e disse que tentaria conter os danos na economia brasileira.
Fonte: Gazeta do Povo.




